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Estratégia de investimento
25/01/2010

Janeiro 2010

Um crescimento limitado para 2010 e anos posteriores


Estratégia de investimento (EN)

    Os dados económicos publicados no decurso das últimas semanas reflectem uma tendência de aceleração do crescimento das principais economias desenvolvidas no final do ano e deixam mesmo uma impressão de actividade muito sólida nos Estados Unidos. As primeiras estimativas do PIB do 4º trimestre de 2009 serão, provavelmente, boas, mas não nos deixemos entusiasmar por estes resultados. Com efeito, para lá da dinâmica industrial, é pouco provável que os países da OCDE retomem um crescimento "financiado pelo crédito" e, por conseguinte, muito acima do potencial. Os próximos anos deverão ser marcados por um desendividamento dos agentes económicos (que já teve início e que não será, necessariamente, violento) e pelo regresso a um certo controlo das despesas públicas após os ambiciosos planos orçamentais de relançamento adoptados para combater a crise. Também aqui, os governos procurarão, na medida do que lhes seja possível, agir de forma progressiva e não de forma brutal.

    A economia mundial já saiu da recessão e o nosso cenário central não prevê uma queda do crescimento, mas, antes, o regresso a um ritmo moderado e inferior ao actualmente observado.



No curto prazo, manter o investimento nos activos de risco


    Face à recente conjuntura dinâmica e optimistas, os investidores deverão privilegiar, no curto prazo, os activos de risco e, em primeiro lugar, as acções, que poderão ser estimuladas por notícias positivas em termos de lucros das empresas e por um ambiente ainda favorável às operações de fusão e aquisição. Nesta fase, os mercados emergentes não deverão obter melhores desempenhos, dado que, segundo determinados critérios, já apresentam cotações elevadas e que reflectem amplamente o dinamismo económico das respectivas economias (particularmente, na Ásia).

    O tema da procura de rendimento pelos investidores também deverá continuar a sustentar o crédito, incluindo os títulos de alto rendimento, cujas cotações são um pouco mais atractivas do que a classe de activos em geral. O discurso, ainda muito acomodatício dos bancos centrais, assegurando que as políticas monetárias serão corrigidas de forma muito prudente e que as medidas de carácter extraordinário não serão brutalmente suprimidas, constitui um factor suplementar de apoio aos activos de risco. Contudo, as antecipações podem evoluir rapidamente.



Depois, a prudência


    Para além desta aposta táctica, dever-se-à ficar atento aos primeiros sinais de perda de vigor do crescimento, os quais não deixarão de reavivar as dúvidas de carácter mais estrutural relativamente à actual retoma (crescimento limitado, desemprego elevado, finanças públicas muito degradadas, desendividamento das famílias, eventual deflação, etc.) e poderão, mesmo, reacender a aversão pelo risco e, consequentemente, provocar o fim da recuperação bolsista. Tais factores poderão tornar-se visíveis em 2010, no final do 1º trimestre ou durante o 2º trimestre.